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Administrador lança livro em que aborda as consequências da dependência digital

21 de junho de 2017

Para equilibrar sua rotina ao mundo digital, o administrador de empresas Lucio Lage Gonçalves, morador da Barra, conta que evita deixar o celular na cabeceira da cama ao dormir. Além disso, em detrimento das telas, ele preferiu em geral a leitura de impressos durante a pesquisa que o levou ao seu terceiro livro, “Dependência digital: tecnologias transformando pessoas, relacionamentos e organizações”, a ser lançado hoje, às 19h, na Livraria da Travessa do BarraShopping. Publicada pela Barra Livros, a obra discute como o uso abusivo das tecnologias atuais pode gerar transtornos tanto para o indivíduo quanto para suas relações frente ao coletivo que o rodeia.

Para o autor, tecnologia faz surgir um novo tipo de ser humano - Analice Paron / Analice Paron

Se estamos cada vez mais conectados, como manter isso em um nível saudável?

Não se trata de ir contra a tecnologia, mas equilibrar as coisas. A gente tem defendido isso: seja mais humano. Você não vai morrer se ficar separado do celular de madrugada. No Brasil, a dependência já é considerada um transtorno psicológico no mesmo patamar da bebida e do fumo, e o Instituto Delete, vinculado à UFRJ, oferece desde 2008 serviços gratuitos de prevenção e tratamento de pacientes. Meus estudos me levaram a me tornar colaborador da entidade a partir do ano passado, para melhor entender os impactos tecnológicos na coletividade.

Como no caso das organizações e empresas?

Sim. Se você entrar num ambiente de baias, vai ver que todos estão concentrados nos computadores ou com o celular nas mãos, fazendo alguma coisa. Como os líderes de hoje estão vendo essas pessoas que acham que estão se relacionando cada vez mais, que estão conectadas, embora de fato não estejam?

No livro, você diz que um “novo ser humano” vem sendo gerado. Como ele é?

Ele tem uma concepção de tempo cada vez mais instantânea. Porque a mobilidade dos aparelhos novos mantém os usuários sempre conectados, ao contrário de tecnologias passadas como a televisão. As pessoas acham que podem ser multitarefa: essa é uma das maiores ilusões da era digital. No computador, você faz tudo ao mesmo tempo, porque a máquina foi feita para isso. Só que a mente humana não. Num capítulo, eu descrevo 17 consequências desse problema, que vão da qualidade do sono à depressão, passando por má postura e visão comprometida. Esse debate inclui profissionais das mais diversas áreas, como psicólogos, ortopedistas etc

E o que o levou a pesquisar sobre o assunto?

Surgiu a partir de situações que vivi. Uma vez, uma garçonete com um smartphone nas mãos veio me atender. Depois que fiz o pedido, a moça colocou o aparelho no bolso e, em seguida, pegou papel e caneta: ela tinha parado para checar as mensagens! Aí, quando fui desenvolver a pesquisa, descobri que raras são as organizações brasileiras que investem em reverter essa realidade, já latente em países como Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul. A China tem muitas ações em relação a isso, como empresas que paralisam os serviços para os funcionários fazerem tai chi chuan ou origami.

Acha que o tema tem ganhado mais visibilidade?

De um lado, as empresas de tecnologia vão continuar seus investimentos, enquanto especialistas de áreas diversas trazem à tona o assunto. Acredito que a consciência da sociedade vai evoluir para uma atenção maior sobre os prós e contras dos meios digitais. É igual a não fumar. A propaganda antifumo era massiva, mas agora nem se faz mais, porque não fumar está comum. O mundo todo vai ser digital, isso não tem jeito. OK, não tem problema, temos que evoluir mesmo. O que não pode é sermos escravos disso. Vamos ser autônomos ou autômatos?